segunda-feira, abril 28, 2008

O andar de carangueijo
o olhar lá no fundo de menina
aguçado por um sentimento...
" não me vejo"
se esconde atrás dos olhos de ventilador
olhos moinhos
pseudo trituradores da orto molecularidade alheia
nada alheia à sutileza das discriminações que seu corpo,
seu traje,
seu verso
sofrem
em vão pára , respira, procura
um semelhante,
uma semelhança
olho no olho,
singularidade sem espelho
entre olhos elétricos
de transeuntes e passantes

Anoitece
na cidade a cadência das respirações, à luz velada
escurece
enquanto a noite tece no ar
as vibrações musicais do cosmos
todos cosmonautas se ajoelham ante as janelas
em prece
de longe ouve-se o sussurrar das estrelas longínquas
abençoando seus filhos caídos de infelicidade pela cadeia terrestre
para mim de órion um arcanjo verde canta
luz, catavento, som
meus ouvidos comem o zum zum zum
cintilar, circular
ar espiral no horizonte que me enleva ao que lá acontece...
eis que na terra anoitece, contou o anjo da luz solar
anoitece o ar...
anoitecem as emoções que marte feriu
anoitece medo,desespero, abismo...
enquanto

em algum lugar no planeta que sou eu,
junto com a cadência das respirações dos corpos celestes
um ser, exclusivo e incauto, inacabado e avultado
amanhece...

olhar de água


Ele é água que molha minha seca

amor em litros

abençoa minha terra de fertilidade

faz brotar verde vida em toda

extensão marrom maciça

e quando fogo desaba o pensamento

anjo com cântaro que me abraça sorridente

vem de mansino ele e seu olhar de água
torneira jorrando doce no meu cais salgado

e ele vem

sempre

chegando sempre, logo ali

me entendendo tudo

simples sempre,

ao alcance de meu tato...


( para Tomaz )

segunda-feira, abril 21, 2008

ecos do Eu Sou


Eu sou o pássaro da liberdade

a ave que se alteia acima da nuvem da saudade

asa do sobrevôo da vitória

Eu sou o fim da ilusão

Eu sou a nuvem e a montanha se enlaçando no horizonte

Eu sou o parto da liberdade azul

filha da manhã celeste com o anil singular nos olhos de quem semeia paz

Sou a corrida selvagem do cavalo branco, a corrida verde, a brisa fresca,
a notícia alegre, o cantar do bem te vi...

infinita como o dedo e a aliança...Eu sou uma com o mar...Eu beijo a calma,

abraço o tempo e a tudo e todos digo olá

o trovão é minha voz que o passarinho bem traduz

a lava vulcânica é meu pulsar, que a pétala da flor desabrocha

a verdade seca que a chuva molha

o nascer do sol que anoitece a dúvida

o amargo que se tornou doce entre a lágrima e o riso

sal jogado na areia...

Eu sou a mulher ferida que canta pra espalhar luz no fim da tarde

aquela que faz o pesar ir-se embora com o pôr do sol...

Eu sou o cabelo negro do luar de ontem,

Eu sou,

Eu sei,

Eu serei,

Sereia no éter nu
Eterno da mente...

terça-feira, abril 08, 2008

Neon


Quero ficar só
Eu sou só eu
Ninguém nunca vai saber
De que adianta
Tirar pra botar de novo
Transformar
Qualquer opção é ganhar
Isso estava nos planos?
Calma também grita
Pra baixo e redondo
O que sobe só quer ajudar
Se não for solto disfarça
E no final incomoda os vizinhos
Queria um martelo ou qualquer instrumento destruidor
Se eles fossem espertos pulavam
Mas no escuro é difícil ver onde é
Vou comprar adesivos pra sinalizar
NEON


Camila Sousa

sábado, abril 05, 2008

Ópio das estrelas


O vento entrou pela janela
São as aves de Órion,
Carícia de asas singulares em minha sala, vejo
E no fundo de uma alma letárgica
sentada em sentinela,
Só teu canto acalenta a dor
O canto triste como o vento
Avisou meus olhos da chegada da chuva
Cheiro de terra molhada mistura pingo do céu
Com água que dos olhos caem...
É o céu do Órion trazendo saudade para o meu céu
Saudade que não se esvai nunca de meus poros brancos,
Brancos como tua tez aveludada
Impregnada nos lençóis que envolvem este corpo sideral
Lua nua, Vênus tua
Faz de mim plano para as estrelas do teu céu
Faz fugir palavra na imensidão cósmica do teu sorriso de esfinge,
Caminho de faraós e reis
que sucumbiram ante a grandeza silenciosa dos teus arcos refletidos
perante aos quais me debruço agora
como em prece favorita
como alguém que canta o sol em noite de estrela...
Assim vamos passando nós na alvorada dos tempos
um templo em cada um de nós
Em mim
Em ti
E nas aves de Órion...

quinta-feira, abril 03, 2008

Tempo é só uma palavra.
A realidade é feita de maçãs. As maçãs são reais.
Têm cor. Têm cheiro. Têm forma. E gosto.
Cada uma é única e todas são doces. Mesmo quando não são.
Posso gostar de sua cor, sentir seu cheiro
e desejar sua forma enquanto como seu gosto.
Ou desejar sua cor, comendo sua forma
e gostando do seu cheiro enquanto sinto seu gosto.
Maçãs são colhidas no tempo certo.
Mas o tempo é só uma palavra.
As maçãs é que ensinam a viver.

Camila Sousa

02/04/2008