terça-feira, setembro 09, 2008

Além



Há uma estranha nebulosa além
Que os muros da razão não param
Resquícios de uma primavera distante
Aroma delicado de flores e frutos proibidos
Uma nuvem passageira na insistência sutil da tentação
Traços de antigos sentimentos que se dissolvem
Novamente no cômodo mais alto do pensamento distraído
Fazendo esmorecer o mais valente guerreiro
Fazendo sucumbir a mais terrena promessa de amor
Além do que se vê
Muito além da ausência do toque
Permeando as inexatas cavernas do sussurro inaudível
De pensamento vago e torpe...
Uma lembrança que se esqueceu de desaparecer
Fazendo crer que o que foi ainda é
Tendo fé,
Fazendo sentir que além do esquecimento
Existe a ventura do sonhar
Florescendo travesseiros
Acordando sorrisos adormecidos
Anunciando com calma a permanência
De um eterno encontro sagrado